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Este livro (ainda) não tem nome

Entre e leia-me. Sinta-se como se estivesse em sua casa, eu vou fazer por isso

Este livro (ainda) não tem nome

Entre e leia-me. Sinta-se como se estivesse em sua casa, eu vou fazer por isso

Da incapacidade de sentir humanidade

Vejamos se consigo expressar fielmente o que me vai na mente. 

Ainda sobre barulho e preferências musicais: O imaginário coletivo é um conceito interessante que vai se alterando com as diversas gerações. Dele são fruto as lendas, as histórias e hoje em dia, creio, as séries de ficção e os jogos de realidade virtual, por exemplo. Sou de uma geração que expressou muito através da música e dos vídeos que a acompanhavam.

E no fundo são tudo emoções e formas de comunicar.

Preocupam-me as emoções, que são a auto estrada para a saúde e para a doença.

Sei exatamente o que nos faz a depressão, mas ainda não consigo conceber a desistência. Não por alguém com uma capacidade de expressão de emoções acima da média mundial. A solidão é tramada. E sentir se só no meio da multidão é ainda mais difícil de ultrapassar.

Como se ensina alguém a não se sentir sozinho. Ensina-se? Estamos a preocupar nos com as emoções dos que nos rodeiam? Comunicamos com os nossos? Ou apenas fazemos coisas, preenchemos espaços e damos os conteúdos politicamente corretos?

São os miúdos que me têm demonstrado que fiz melhor a coisa do que eu pensava. Quando o mais velho me disse : " Mãe, não quero ficar aqui sem ti" quando o fui levar para o início da faculdade, o meu chão desabou. O espectro da solidão voltou a assombrar me. Dei - lhe um beijo na testa e disse - lhe que iria fazer o mesmo que me fizeram a mim. " tem que ser, é a tua vida, tens que ficar e uma semana passa num instante" e virei costas. E tudo em mim doía. E ele ficou, e embora doesse, ele fez uma coisa que eu nunca fiz: expressou, disse exatamente o que sentia, coisa que nunca na vida fiz, porque a mim me ensinaram que tinha que ser forte. Só que não. Não temos que ser fortes, não temos que ser sempre bons e ser humano é cair, levantar, sentir saudades e ter medo. 

Ele ultrapassou, eu ultrapassei. E descobri que as emoções cá em casa são todas permitidas. O medo, a solidão, a raiva, a frustração, a ansiedade. E mesmo que sejam difíceis de resolver, como a frustração permanente do mais novo, e mesmo que tenhamos dificuldade em encontrar o caminho, por entre ansiedades de uns e outros, mesmo que a mãe tenha que servir de muro de lamentações e saco de boxe, tudo por aqui se pode expressar. Nunca pensei conseguir isto. Juro que não. Para dizer a verdade, nem sei como o consegui. 

Talvez esta coisa do "tens que ser forte" me tenha ensinado que a solidão pode ser tramada e muitas vezes ser forte é apenas um mito, uma ilusão, um faz de conta para os outros acreditarem... 

Ainda sobre imaginário coletivo e lendas, descobri que a cultura asiática é povoada de mitos e histórias que me encantam e que preenchem a minha necessidade contínua de sonhar. Há sempre tantas coisas novas para nos encantar, tanta coisa para aprender. Talvez por isso que não consiga conceber a desistência de viver. O antídoto para o sofrimento é a expressão das emoções, sempre, da melhor forma que formos capazes, mas não estamos, no geral, a ser capazes. 

E a saúde mental deste país preocupa-me em larga escala, muito mesmo...

Ser humano é complicado, admito!